Serviços de Saúde: Armazenamento de vacinas é controlado de forma rigorosa

Ainda a propósito da recente detecção do armazenamento ilegal de vacinas num Centro Médico , um deputado da Assembleia Legislativa sugeriu que o Governo da RAEM deve considerar autorizar os médicos de clínica privada a possuírem e armazenar as suas próprias vacinas.

A este propósito os Serviços de Saúde que o armazenamento de vacinas em Macau está em conformidade e de acordo com as directrizes relevantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) que estabelece um conjunto de normas, vigilância e padrões de modo a proteger a saúde das crianças e residentes e de minimizar as hipóteses de problemas decorrentes da cadeia de frio das vacinas.

A saúde e a segurança dos residentes da RAEM são da máxima importância para o Governo da RAEM e tem havido um total empenho para proporcionar à população uma politica de vacinação abrangente.

O Programa de Vacinação de Macau é gratuito para os residentes de Macau com menos de 18 anos e abrange 13 vacinas: tuberculose, hepatite B, difteria, tosse convulsa, tétano, poliomielite, sarampo, rubéola, parotidite, Haemophilus influenzae b (causa meningite infantil), varicela, pneumococo, papilomavírus humano.

Em Macau, as mulheres em idade fértil podem receber a vacinação gratuita contra o sarampo, rubéola e parotidite epidémica e adultos de alto risco podem ser vacinados contra a hepatite B também de modo gratuito.

Todos aqueles que necessitem de se vacinar podem recorrer aos Centros de Saúde e Postos de Saúde (num total de 10 unidades) e ao posto de vacinação instalado pelos Serviços de Saúde no Hospital Kiang Wu.

As vacinas são administradas aos residentes de Macau e às crianças não residentes autorizadas a viver em Macau por longa duração. As pessoas não residentes não podem administrar a vacina mesmo que paguem.

A procura de vacinas no mercado privado em Macau é principalmente efectuada por não residentes, turistas, crianças e adultos que não são incluídos no Programa de Vacinação de Macau. Por exemplo, as mulheres com a idade superior a 18 anos que queiram vacinar-se contra o cancro do colo do útero ou pais que desejam que os seus filhos sejam vacinados por expensas próprias. Estes interessados podem recorrer às instituições médicas privadas para vacinação, e que segundo a Lei, os hospitais privados e farmácias registadas que preencham os requisitos legais podem armazenar vacinas.

As vacinas são produtos muito sensíveis à temperatura. Caso sejam manuseadas em ambientes com temperatura inadequada como por exemplo armazenar e transportar, a oscilação da temperatura poderá afectar o efeito e a segurança de uso. Estes efeitos são difíceis de observar através da aparência das vacinas.

O papel da vacina é prevenir doenças. Uma vacina sem eficácia não pode ser detectada de imediato, em comparação dos medicamentos administrados de um modo geral. A falta de eficácia só é descoberta muitas das vezes anos ou décadas após a administração quando ocorra alguma infecção ou seja feita alguma análise.

De acordo com as diretrizes internacionais, a fim de garantir a qualidade das vacinas, em estabelecimentos médicos, as exigências de gestão e de apreciação em cadeia de frio das vacinas são as seguintes:

  1. Os locais onde são armazenadas as vacinas devem ter energia de reserva suficiente, incluindo equipamentos de fornecimento de energia em caso de emergência, geradores automáticos, sistema de energia ininterrupta em resposta a qualquer emergência e força maior, incluindo apagão de electricidade causada por mau tempo ou desastres;
  2. A temperatura dos equipamentos de cadeia de frio devem ser estável, entre de 2-8 ° C;
  3. Os equipamentos devem ter instalados aparelhos de monitorização com precisão de alta e baixa temperatura, incluindo dispositivo de gravação contínua de temperatura, alarme de temperatura alta e baixa, monitorização de congelamento, etc;
  4. Deve existir uma manutenção e reparação periódica dos equipamentos;
  5. O pessoal de gestão das vacinas deve ter formação e as unidades onde prestam inoculação também deve ter a capacidade de lidar com situações de emergência da cadeia de frio, das vacinas e de eventuais reacções adversas graves dos doentes.

Para garantir que estes requisitos sejam rigorosamente cumpridos as vacinas adquiridas pelos Serviços de Saúde são enviadas directamente, do armazém dos laboratórios para o armazém dos Serviços de Saúde. No momento da recepção de cada lote de vacinas, os Serviços de Saúde verificam a temperatura das vacinas e controlam todos os procedimentos de transporte. Nos equipamentos de frio onde são armazenadas as vacinas e nos vários postos de vacinação está instalado um sistema de monitorização de temperatura 24 horas e um sistema de alarme. Quando a vacina é enviada do armazém para posto de vacinação há, também, um dispositivo de monitorização de temperatura instalado na incubadora de vacinas.

Em comparação com regiões vizinhas, a exclusividade da geografia, em Macau, há uma área do território considerada zona baixa e propensa a inundações e apagões eléctricos durante tempestades ou situações de tufão. Para assegurar a qualidade das vacinas, os postos de vacinação nestas zonas estão equiparados pelos Serviços de Saúde com dispositivos de energia backup. Os equipamentos de refrigeração estão colocados nos pisos superior, bem como estão instalados vários equipamentos redundantes de informação de temperatura e segurança com informação em tempo real. Em algumas situações passadas e porque não existiam estes sistemas vários lotes de vacinas foram destruídos pelos Serviços de Saúde de modo a salvaguardar o fornecimento de vacinas com boa qualidade.

É óbvio que as clínicas privadas, de um modo geral, não possuem condições, nem equipamentos que possibilitem armazenamento de vacinas e assim não podem garantir um armazenamento que corresponda às exigências. Contudo existem algumas opiniões que dizem que o armazenamento em médicos privados é possível dando como exemplo áreas vizinhas, como Hong Kong. A este propósito informações publicadas pela Autoridade de Saúde de Hong Kong revelam que nos últimos anos, aquando das inspeções de rotina, foram detectados casos em clínicas de situações em que a temperatura de armazenamento da vacina era superior à temperatura recomendada. Foram também registadas situações em que o armazenamento das vacinas era inadequado, nomeadamente temperatura do refrigerador superior ao aconselhável vacina durante 30 dias seguidos, situação que leva à destruição da vacina; clínicas administraram vacinas expiradas a pelo menos 20 utentes.

Em Macau durante algumas situações inspectivas dos Serviços de Saúde foi detectado que em algumas instituições médicas privadas de Macau o refrigerador das vacinas era também usado para colocar alimentos ou estavam armazenadas vacinas expiradas.

O Governo de RAEM há muitos anos que é responsável pela vacinação das crianças. Devido ao excelente sistema de registos, as pessoas nascidas em Macau nos últimos 30 anos e as que completaram o ensino primário em Macau podem consultar a sua situação no sistema informático dos Serviços de Saúde.

Refira-se ainda que o deputado da Assembleia Legislativa referiu que a administração de uma vacina expirada não produz anticorpos mas não se deve presumir que esta possa causar efeitos secundários no corpo humano. Os Serviços de Saúde discordam em absoluto com esta ideia. Por exemplo, caso fossem administradas vacinas expiradas a crianças, apesar de não existirem efeitos secundários imediatos, a pessoa supostamente adquire um imunidade que pode não ser real. Os seus comportamentos são como se possuísse imunidade e não toma medidas preventivas. Esta situação pode aumentar o risco de infecção de doença transmissível relacionada, até pode causar complicações criticas e morte. As consequências podem ser muito graves.

Ë também importante salientar que a administração de vacinas expiradas pode causar um perca de protecção para a população e originar uma grave crise da saúde pública, além de destruir a barreira imunitária que é altamente eficaz em Macau, afectar o sistema de defesa da saúde pública de Macau e aumentar o risco de surto das doenças infecciosas em Macau.

Por outro lado, o papel de algumas vacinas é prevenir a ocorrência de cancro. O fracasso da vacina poderá levar a um aumento na incidência de casos individuais de cancro. A falta de eficácia das vacinas só pode ser descoberta alguns anos ou décadas depois.

A par disso, caso seja utilizada uma vacina multidose, após a sua abertura, a se a temperatura de armazenamento não for adequada e o manuseamento não for rigoroso as sucessivas doses pode ter consequências, como infecção bacteriana.

Diferentes vacinas têm sensibilidades diferente à temperatura, por exemplo, vacinas vivas atenuadas são mais instáveis do que as vacinas inactivadas; a vacina contra o sarampo é muito sensível ao calor; outras vacinas inactivadas são sensíveis à congelação como é o caso da vacina contra hepatite B; A variação de temperatura entre muito quente ou muito frio pode destruir vacinas armazenadas e provocar ineficácia.

A organização centralizada da vacinação permite ao Governo estabelecer os dados de saúde de Macau e é um apoio ao desenvolvimento das políticas de saúde pública desta região. Daí que a segurança das vacinas seja crucial e os Serviços de Saúde dêem elevada importância ao controlo das vacinas, mantendo a supervisão e a fiscalização, de alto nível, relativamente ao armazenamento de vacinas, à protecção de saúde do público e ao controlo rigoroso da qualidade das vacinas, garantindo que os residentes tenham a máxima confiança em administra-las.



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