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Serviços de Saúde manifestaram preocupação com surto de infecção meningocócica em Kent, no Reino Unido, e apelaram os residentes a estarem vigilantes e a tomarem precauções


Um surto de infecções meningocócicas invasivas foi detetado em Kent, Inglaterra, com um total de 27 casos reportados até à data, incluindo duas mortes. Em alguns pacientes, foi confirmada a infecção por meningococo do tipo B, com os casos a envolverem adultos jovens, alguns dos quais frequentaram uma discoteca local entre os dias 5 e 7 de Março. Os Serviços de Saúde estão a acompanhar a situação de perto e a lembrar os residentes, especialmente os que planeiam viajar, da importância da higiene pessoal e ambiental. Os indivíduos que necessitem de permanecer em áreas afectadas por um período prolongado são aconselhados a proceder à vacinação, de acordo com as necessidades, com o objectivo de reduzir o risco de infecção.

Conforme os dados de monitorização dos Serviços de Saúde, a incidência da meningite epidémica provocada pela Neisseria meningitidis é extremamente baixa em Macau. Desde 1988 até ao momento, foram registados apenas cinco casos, dos quais quatro necessitaram de tratamento na Unidade de Cuidados Intensivos e dois resultaram em óbito. Todos os casos foram esporádicos e não foram encontrados sinais de transmissão local. Considerando a raridade da doença em Macau, após uma avaliação abrangente, não se considera necessário incluir a vacina meningocócica no Programa de Vacinação regular nesta fase.

É de salientar que os Serviços de Saúde têm adquirido vacinas conjugadas quadrivalentes contra os meningococos dos tipos A, C, Y e W135 para vacinação de emergência em caso de surto. Ao mesmo tempo, estas vacinas encontram-se disponíveis, a expensas do indivíduo, para aqueles que planeiam trabalhar ou viajar para o estrangeiro por longos períodos. Adicionalmente, as instituições médicas privadas de Macau fornecem vacinas contra o meningococo do tipo B, para além das vacinas quadrivalentes anteriormente referidas. Recomenda-se que os indivíduos que planeiam estudar ou residir por longos períodos em zonas de alto risco consultem previamente os médicos, a fim de avaliar a necessidade de vacinação.

A infecção meningocócica é causada pela Neisseria meningitidis, uma bactéria que pode ser classificada em seis serogrupos. Após a infecção, o período de incubação é, habitualmente, de 2 a 10 dias, sendo que a maioria dos casos dura entre 3 a 4 dias. A transmissão ocorre predominantemente por via de contacto directo ou por inalação de secreções ou gotículas exaladas pela boca ou pelo nariz de indivíduos infectados ou assintomáticos. Alguns indivíduos infectados apresentam apenas sintomas na nasofaringe, podendo ser completamente assintomáticos ou manifestar apenas sintomas gripais de infecção do tracto respiratório superior. Outros doentes podem apresentar febre aguda, cefaleias intensas, rigidez de pescoço, náuseas e vómitos. O quadro clínico pode deteriorar-se rapidamente, progredindo para púrpura sistémica, choque e até mesmo óbito.

As infecções meningocócicas ocorrem em todo o mundo, com a maior incidência registada na África Subsariana, enquanto outras regiões apresentam ocasionalmente pequenos surtos ou casos esporádicos. A inclusão das vacinas meningocócicas nos programas de vacinação regulares é geralmente determinada pelos países e regiões, com base na prevalência da doença. Por exemplo, o Interior da China integrou no seu programa nacional de vacinação vacinas relevantes, sobretudo contra os serotipos A, C, W e Y, enquanto os Estados Unidos da América, diversos países europeus e a Austrália introduziram vacinas meningocócicas com diferentes valências.

A infecção meningocócica tem maior probabilidade de se espalhar em locais com grande concentração de pessoas, como universidades ou residências de estudantes. Para prevenir a infecção, os residentes devem tomar as seguintes medidas:

1) Manter a circulação de ar em espaços fechados e evitar locais com grande concentração de pessoas;

2) Lavar as mãos frequentemente para manter a higiene;

3) Manter uma alimentação equilibrada, não fumar, praticar exercício físico regularmente e dormir o suficiente para fortalecer o sistema imunitário;

4) Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e manusear as secreções com cuidado;

5) Ao deslocar a áreas endémicas, evitar o contacto próximo com pessoas que apresentem sintomas relacionados;

6) Considerar a vacinação antes de viajar para áreas endémicas para estadias prolongadas.