Introdução
A Cidade Proibida foi construída em 1420, durante o 18º ano do reinado de Yongle, dinastia Ming. Enquanto palácio imperial das dinastias Ming e Qing, albergou 24 imperadores. O seu estilo arquitectónico sempre foi um foco central da antiga construção chinesa, e o exemplo máximo é a Cidade Proibida. Servindo de paradigma para a antiga arquitectura palaciana chinesa, o profundo legado cultural arquitectónico da Cidade Proibida é uma combinação perfeita de tecnologia e arte.
Esta exposição está dividida em cinco secções: Marcenaria, Vidro, Pintura Decorativa, Vidradoes e Interiores. Quer em temos de artesanato quer de material, estas secções apresentam, de diferentes ângulos, o esplendor e a sofisticação dos edifícios palacianos das dinastias Ming e Qing. Simultaneamente, ao apresentar components arquitectónicos historicamente cruciais, esperamos iluminar os níveis mais altos da arquitectura e da arte nas dinastias Ming e Qing, promovendo assim a apreciação da excelência da cultura tradicional chinesa.
Secção 1: Marcenaria
A antiga arquitectura chinesa adotava a madeira como material principal. A moldura de madeira determinava a construção de um edifício, bem como sua forma e escala básicas. ‘Grande trabalho em madeira’ (refere-se a estruturas, versus ‘pequeno trabalho em madeira’), estava no topo da lista de mais de 20 ofícios profissionais estabelecidos no Ministério de Trabalhos de Obras de Engenharia (Gongbu Gongcheng Zuofa) da dinastia Qing, e era a mais importante habilidade nas construções de arquitectura antiga.
Durante as dinastias Ming e Qing foi atingido o apogeu na história da construção arquitectónica chinesa. Com a sabedoria herdada transmitida de geração em geração, as técnicas de construção de ‘grandes marcenarias’ foram altamente refinadas, formando um sistema modular completo e rigoroso. Com um conjunto de regras e mnemónicas, os carpinteiros conseguiram projectar o tamanho de cada edifício e componente, processando-os e montando-os em conformidade. A Cidade Proibida é o maior e mais bem preservado antigo complexo palaciano de madeira do mundo, constituindo um modelo de referência inestimável para os investigadores actuais de “grandes trabalhos em madeira” de estilo oficial Ming e Qing.
Secção 2: Vidro
A China, já nos períodos da Primavera e Outono e dos Reinos Combatentes, produzia pequenas decorações em vidro, do tipo contas esmaltadas, sem qualquer utilidade prática, que foram introduzidas a partir do Ocidente. A dinastia Qing criou uma unidade de produção que fabricava vidro para os imperadores. Desde a dinastia Yuan que o vidro é utilizado nos palácios. Os registos mostram que houve a instalação do “olho de janela” no início do período Qing; em meados do período Qing, o vidro foi utilizado em grandes quantidades, mas não restaram muitas relíquias. O vidro, como novo material de construção, foi aplicado – e, portanto, renovou a fachada – nos edifícios chineses tradicionais de madeira, substituindo gradualmente o “papel de janela”, muito inferior em termos de estanquidade e translucidez.
Secção 3: Pintura Decorativa
A pintura decorativa é uma técnica única na antiga arquitectura chinesa. As pinturas que cobriam as superfícies dos edifícios não só protegiam as componentes de madeira, mas também se tornaram uma vistosa arte decorativa. Na dinastia Qing, correspondendo aos diferentes tipos de edifícios, a pintura imperial colorida desenvolveu-se num conjunto de normas refinadas e complexas, com padrões, cores e práticas altamente padronizadas. Caihua, a pintura decorativa da dinastia Qing, era uma arte elaborada que envolvia uma variedade de técnicos, incluindo a preparação de pigmentos, a confecção de padrões, a lixiação, a escovagem e o douramento. Estes prcessos, realizados de acordo com um Sistema tradicional, foram levados a cabo através de uma combinação de métodos técnicos e artísticos. Caihua, uma preciosidade do património arquitectónico chinês, não é apenas um tipo de arte decorative, mas também uma grande referência para a investigação histórica, cultural e tecnológica.
A pintura decorativa da dinastia Qing desenvolveram-se em duas categorias: óleo sobre madeira e trabalhos a cores, realizados por diferentes grupos de artesãos. Devido às mudanças dimensionais dos componentes de madeira, a superfície da pintura mudou de dougong (conjuntos de suportes entre colunas) e gongyanbi (placa atrás dos conjuntos de suportes) para colunas quadradas, terças e vigas. O esquema cromático destacava o verde e o ciano para combinar com a decoração sob o beiral. A dinastia Qing começou a adoptar pigmentos importados para substituir até mesmo alguns dos tradicionais de fabricação própria. A estrutura de base tornou-se mais espessa e complexa devido ao uso de montagem de madeira.
Secção 4: Vidrados
A Cidade Proibida tem uma grande variedade de vidrados na arquitectura palaciana das dinastias Ming e Qing. De acordo com registos e descobertas arqueológicas, a utilização de componentes vidrados na arquitectura da China remonta às dinastias do Norte e do Sul (420-589), quando o palácio de Pingcheng, capital da dinastia Wei do Norte, começou a utilizar o vidrado. O registo mais antigo encontrado refere o uso de vidrado de cinco cores num palácio, um grande feito na arquitectura chinesa. A produção de vidrado ocorreu, originalmente, na província de Shanxi e depois noutros locais. As técnicas de aplicação de components vidrados em edifícios amadureceram com a construção da Grande Capital da dinastia Yuan, e os palácios imperiais das dinastias Ming e Qing apresentam uma enorme coleção de components vidrados, que representam o mais refinado artesanato deste tipo de materiais nos edifícios antigos da China. Em termos de textura, cores do vido, capacidade de entalhamento e função dos azulejos vidrados, o auge desta arte ocorreu durante os períodos de Kangxi, Yongzheng e Qianlong da dinastia Qing.
São visiveis componentes envidraçados nos telhados, paredes espirituais (zhaobi) e portas envidraçadas, muitas vezes combinados com bestas e telhas. As cores dos telhados dos palácios seguem a Teoria Chinesa dos Cinco Elementos: o amarelo é a cor dominante que representa a terra, indicando que o imperador, Filho do Céu (Tianzi), estava no centro do universo e governava todas as direcções do império; o verde está associado ao leste e ao elemento madeira, simbolizando renascimento e renovação, fertilidade e prosperidade, e era muito utilizado no palácio onde viveu o Príncipe Herdeiro; o preto, associado à água, supera o fogo e, portanto, Siku Quanshu (também conhecida como Biblioteca Completa nos Quatro Ramos da Literatura) foi mantida na Câmara Wenyuan com azulejos pretos. Os palácios da Cidade Proibida apresentam componentes envidraçados cujas formas/estilos e inscrições têm características genéricas distintas e ricas conotações históricas, contendo grande quantidade de informação e representando o artesanato em azulejos de diferentes períodos. Estes são recursos históricos muito valiosos que fornecem referências físicas confiáveis para o estudo da história do desenvolvimento do esmalte e das suas técnicas de cozimento.
Secção 5: Interiores
Na China antiga a decoração de interiores era conhecida como Neiyan Zhuangxiu. Os interiores na Cidade Proibida não diferem, substancialmente, das actuais decorações de casas das pessoas comuns ou dos restauros de casas antigas – que levam em conta os hábitos da vida quotidiana e seguem as modas. De meados até finais da dinastia Ming, painéis de madeira originários de Gushu (actual Suzhou) foram utilizados para decorar e colocar em interiores, complementados com móveis finos de madeiras nobres, estilo que se difundiu por todo o país. Durante a dinastia Qing, o hábito de viver em casas com móveis fixos, nomeadamente camas, desencadeou uma revolução na decoração e no design de interiores. A dinastia Qing iniciou uma vaga de construção de palácios e jardins em grande escala. Neste contexto, durante os períodos Yongzheng e Qianlong, o design de interiores teve palco para um grande desenvolvimento.
O imperador Qianlong influenciava e até controlava as escolhas de planeamento do espaço interior e padrões decorativos interiores para palácios, incutindo os seus conceitos rituais e preferências estéticas no design de interiores. As câmaras dos haréns imperiais, pavilhões e espaços de lazer e prazer são ricas em variações, feitas com diversos tipos de ornamentação, também patentes em edifícios de palácios, jardins, altares e templos. Entre eles, apenas a decoração interior da Cidade Proibida (também conhecido como Palácio Imperial) foi bem preservada e ficou relativamente intacta permitindo-nos, assim, vislumbrar a sua verdadeira face em épocas distintas.
Exposição de Conservação de Arquitectónica da Cidade Proibida
Conteúdo fornecido por: Instituto Cultural (IC)
Última actualização: 2026-10-26 16:02