Os Serviços de Saúde, em conjunto com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e o Hospital Kiang Wu, realizaram uma conferência de imprensa sobre “Cuidados de Saúde Escolar”
Com vista a articular-se activamente com o “15.º Plano Quinquenal” do País, no que diz respeito à aceleração da construção da China saudável e à implementação da estratégia de desenvolvimento de “prioridade à saúde”, do “3.º Plano Quinquenal” e dos objectivos e indicadores gerais definidos no “Plano de Acção para Macau Saudável” do Governo da RAEM e no "Projecto de Macau Saudável", bem como levar à prática as três grandes orientações políticas de “antecipação da intervenção, descentralização de recursos e mudança de mentalidades”, de modo a integrar os elementos de promoção da saúde e de prevenção de doenças na vida escolar, elevando assim o nível de saúde dos alunos de Macau. Os Serviços de Saúde, em conjunto com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e o Hospital Kiang Wu realizaram, esta quinta-feira (dia 10), uma conferência de imprensa sobre "Cuidados de saúde escolar". Durante a ocasião, a chefe do Departamento de Cuidados de Saúde Comunitários dos Serviços de Saúde, Wong In, o chefe da Divisão de Ensino Secundário da DSEDJ, Leong I On, o médico consultor e subchefe do Serviço de Pediatria do Hospital Kiang Wu, Wong Kin Seng, e o médico consultor e subchefe do Serviço de Oftalmologia, Lam Lou, apresentaram, respectivamente, os respectivos trabalhos e os resultados de rastreios.
Na conferência de imprensa, a chefe do Departamento, Wong In, referiu que, para concretizar o princípio de prestação dos serviços "tratamento eficaz em que se privilegia a prevenção", os Serviços de Saúde, em colaboração com a DSEDJ, as instituições de ensino não superior de Macau e a Federação de Médico e Saúde de Macau, têm vindo a implementar o "Programa de cuidados de saúde escolar", alargando gradualmente os serviços de exames físicos dos alunos dos centros de saúde às escolas, criando-se uma rede de protecção da saúde escolar que abrange desde o nascimento até à fase de ingresso no ensino, com uma articulação contínua entre as várias etapas. No âmbito deste programa, os Serviços de Saúde definem os critérios de prestação de serviços e disponibilizam orientações técnicas, financiando a Federação de Médico e Saúde de Macau para constituir a “Equipa de proximidade para cuidados de saúde escolar”, que se desloca às escolas para prestar serviços de exames físicos aos alunos; a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude é responsável por coordenar as escolas na realização ordenada dos trabalhos de exames; enquanto as instituições de ensino não superior de Macau fornecem os dados de identificação dos alunos, organizam a realização dos exames por ordem e auxiliam na realização de alguns dos itens de exame. No presente ano lectivo, o "Programa de Cuidados de Saúde Escolar" abrangeu 97 unidades escolares de Macau, incluindo a Escola de Hengqin anexa à Escola Hou Kong, contando com um total de 52.025 alunos, com um número efectivo de 49.078 participantes, correspondendo a uma taxa de participação de 94,3%, o que reflecte que o Programa foi amplamente apoiado e colaborado activamente pelas escolas e encarregados de educação.
No que respeita ao rastreio visual, os resultados demonstram que, entre os alunos que participaram nos exames, a taxa de miopia foi de 29,1% (14.265 alunos), a de astigmatismo de 13,5% (6.611 alunos), a de hipermetropia de 2,8% (1.382 alunos) e a de suspeita de estrabismo de 0,5% (229 alunos); entre os 37.090 alunos que não usavam óculos, verificou-se, através dos exames, uma taxa de erro refrativo (incluindo miopia, hipermetropia e astigmatismo) de 22,6% (8.385 alunos). Os resultados em causa demonstram que os problemas de visão dos alunos de Macau merecem a atenção constante dos pais e das escolas, recomendando-se que, após a recepção dos resultados do rastreio, os filhos sejam submetidos, o mais cedo possível, a uma avaliação oftalmológica ou optométrica profissional, dando seguimento, conforme a prescrição médica, às medidas de correcção visual ou de prevenção e controlo da miopia.
Em relação ao rastreio auditivo, os Serviços de Saúde realizaram, respectivamente, rastreios auditivos com diapasão a 3.810 alunos do 1.º ano do jardim de infância, e um rastreio preliminar por audiometria tonal a 5.046 alunos do 3.º ano do jardim de infância, tendo as taxas de resultados anómalos no rastreio preliminar sido de 0,16% (6 alunos) e 1,0% (48 alunos), respectivamente. Todos os alunos em causa foram encaminhados para acompanhamento no Serviço de Otorrinolaringologia, tendo sido identificados alguns casos de anomalia auditiva que requerem acompanhamento contínuo. Além disso, os alunos do 2.º, 4.º e 6.º anos do ensino primário foram submetidos a um rastreio preliminar através de audiometria online por computador, com a participação de 17.849 alunos, tendo a taxa de resultados anómalos no rastreio preliminar sido de 14,0%. Um total de 2.506 alunos necessitavam da segunda avaliação, sendo todos submetidos à audiometria tonal, realizada durante as férias de Verão em centros de saúde; entre estes, 1.550 alunos compareceram à reavaliação, tendo 11 apresentado resultados anómalos, correspondendo a 0,7% dos que compareceram à reavaliação, os quais foram todos encaminhados para acompanhamento especializado. Os Serviços de Saúde recordam que os resultados do rastreio preliminar servem apenas de base para uma nova avaliação, não sendo equivalente a um diagnóstico clínico, pelo que os pais devem, em conformidade com o encaminhamento agendado, levar os seus filhos à reavaliação ou à avaliação especializada.
Além disso, quanto ao exame oral dos alunos do 3.º e 5.º anos do ensino primário, entre os 12.318 alunos submetidos ao exame, a taxa de suspeita de cárie dentária foi de 42,3% (5.214 alunos); quanto ao exame da coluna vertebral dos alunos do 5.º ano do ensino primário, 3,2% (207 alunos) em 6.487 alunos submetidos ao exame, necessitavam de avaliação adicional; e a taxa de excesso de peso, incluindo obesidade, dos alunos de toda a RAEM foi de 13,5%. Os Serviços de Saúde apelam aos pais para prestarem atenção à alimentação diária, ao exercício físico, à higiene oral e aos hábitos posturais dos filhos, dando seguimento precoce em conformidade com os resultados dos exames.
O médico Wong Kin Seng salientou que a obesidade é um problema de saúde de prevalência mundial, cuja principal causa reside no excesso de ingestão e no défice de consumo. Quando a ingestão de calorias excede o gasto calórico por um longo período, o excesso de energia será convertido em gordura e armazenado no corpo. Na vida moderna, os alimentos ricos em açúcar e gordura estão facilmente acessíveis, e factores como ficar sentado por longo período, a utilização prolongada de produtos electrónicos e a insuficiência de actividade física, podem facilmente levar a desequilíbrio energético. A obesidade tem um impacto profundo no organismo, podendo desencadear o desenvolvimento sexual precoce em crianças e aumentar o risco de puberdade precoce; a pressão exercida pela gordura em excesso sobre as vias respiratórias pode causar apneia do sono, conduzindo à diminuição da memória e da capacidade de concentração; e as crianças obesas apresentam também uma probabilidade mais elevada de desenvolver hipertensão arterial. Os estudos demonstram que 13,3% dos alunos obesos apresentam acantose nigricans, manifestação típica de resistência à insulina e sinal de alerta de elevado risco para o futuro desenvolvimento de diabetes tipo 2. A longo prazo, aumenta ainda o risco de, na idade adulta, vir a sofrer de doenças cardiovasculares como a doença coronária, o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral, etc. As principais medidas de gestão da obesidade consistem numa alimentação equilibrada e na prática regular de exercício físico: aumentar o consumo de legumes, frutas, cereais integrais e proteínas de qualidade, reduzindo os alimentos fritos, as bebidas açucaradas e os snacks processados; praticar, no mínimo, 60 minutos diários de actividade física de intensidade moderada a elevada, como correr, nadar ou jogar à bola; limitar o tempo de utilização de ecrãs electrónicos a menos de 2 horas por dia e assegurar um sono suficiente.
A médica Lam Lou afirmou que os problemas de visão dos alunos de Macau são efectivamente uma realidade, apresentando uma tendência de ocorrência em idades mais jovens e de aumento com a idade, designadamente o rápido desenvolvimento da miopia em alunos dos primeiros anos do ensino primário, assim como a insuficiência de reserva para hipermetropia em algumas crianças, pelo que é particularmente crucial detectar precocemente a pré-miopia e “antecipar a intervenção”. Simultaneamente, há ainda alguns alunos já diagnosticados com erros de refracção que não usam óculos de correcção, situação que desperta a atenção dos pais e das escolas. Os resultados do rastreio visual realizado pelo Hospital Kiang Wu aos alunos dos primeiros anos são altamente coincidentes com os dados do rastreio efectuado pelos Serviços de Saúde a toda a RAEM, demonstrando que o problema da miopia dos alunos de Macau é generalizado e tende a surgir em idades cada vez mais precoces. No que diz respeito à intervenção científica, são elaborados planos individualizados em função da idade do aluno, do grau de miopia e da velocidade de progressão, incluindo intervenção com medicamentos (por exemplo, colírio de atropina em baixa concentração), intervenção óptica (como óculos de desfocagem periférica, lentes de ortoceratologia, entre outros) e intervenção combinada de ambas, sendo o plano combinado o mais eficaz na desaceleração da progressão da miopia e no controlo do crescimento do eixo ocular, ou seja, os alunos de alto risco com progressão mais rápida da miopia podem obter um efeito de controlo ideal após intervenção atempada, o que indica que “alto risco não significa irreversibilidade”. A médica apelou aos pais para, após recepção do relatório de rastreios da escola, levarem atempadamente os filhos à realização de refracção cicloplégica para o diagnóstico e, uma vez confirmado, escolham um plano de intervenção conforme a prescrição médica, e não adiar o tratamento por causa de “esperar para ver a situação”. Recomendou ainda que, no dia-a-dia, se mantenha uma actividade ao ar livre não inferior a duas horas, se siga a regra de utilização da visão “20-20-20” (a cada 20 minutos de visão ao perto, deve desviar o olhar e fixar um objecto situado a 20 pés, ou seja, cerca de 6 metros de distância, durante pelo menos 20 segundos); e que se realizem consultas de seguimento periódicas a cada 3 a 6 meses para monitorizar as alterações do eixo ocular e do grau de refracção. Sublinhou que só com a conjugação de esforços da escola, da família e das instituições médicas, será possível proteger verdadeiramente a saúde visual dos alunos.
Com o objectivo de permitir que os alunos que necessitam de acompanhamento obtenham tratamento adequado e atempado, os Serviços de Saúde acompanham os casos com resultados anómalos no rastreio preliminar, através de um modelo de colaboração entre os sectores público e privado, enviando profissionais de saúde, em articulação com as instituições de saúde sem fins lucrativos, para deslocarem-se às escolas para prestação de educação para a saúde. Simultaneamente, as plataformas, como a “Academia de Pais”, visam elevar continuamente a consciência dos pais sobre a gestão da saúde dos alunos, concretizando o princípio de “detecção e intervenção precoces” e consolidando a linha de defesa da saúde dos alunos de Macau. Na expectativa de que todos os sectores continuem a colaborar e a prestar atenção à saúde física e mental da próxima geração, construindo, em conjunto, um ambiente escolar e social favorável ao crescimento saudável dos alunos




