Vacinação antigripal para os residentes elegíveis
Com o objectivo de prosseguir com a monitorização da tendência epidemiológica das doenças transmissíveis em Macau e de conceber medidas de prevenção e controlo adequadas, os Serviços de Saúde, de acordo com a «Lei de prevenção, controlo e tratamento de doenças transmissíveis» e o «Mecanismo de declaração obrigatória de doenças transmissíveis», exigem que os responsáveis das instituições médicas públicas ou privadas, os médicos que efectuem o primeiro diagnóstico, os médicos que preencham o certificado de óbito e os técnicos de diagnóstico laboratorial, devem declarar, no prazo legal, os casos de doenças transmissíveis aos Serviços de Saúde. Actualmente, existem 45 tipos de doenças em Macau que necessitam de declaração obrigatória. Os Serviços de Saúde efectuam periodicamente a análise e avaliação dos dados declarados, bem como divulgam os dados de monitorização, permitindo ao público conhecer a tendência do desenvolvimento das doenças transmissíveis, aumentando a sua consciência de prevenção de doenças e fazendo uma boa gestão de saúde.
Em Setembro de 2026, os Serviços de Saúde registaram um total de 2.679 casos de doenças de declaração obrigatória. As três doenças com maior número de casos foram a gripe (2.098 casos), a infecção por enterovírus (427 casos) e a varicela (49 casos). Em comparação com o mês anterior, as doenças cujo número de casos registados com alterações mais significativas foram a infecção por Salmonella (aumento de cerca de 1,7 vezes), a varicela (aumento de cerca de 1,5 vezes) e a infecção por enterovírus (aumento de 74,3%).
Infecção por Salmonella
Em Setembro, foram notificados um total de 40 casos de infecção por Salmonella, um aumento para o dobro face aos 20 casos registados no período homólogo do ano anterior e um aumento de cerca de 1,7 vezes em relação aos 15 casos registados no mês anterior.
A infecção por Salmonella é uma enterite causada pela Salmonella não tifóide. Pode ocorrer durante todo o ano, mas é mais prevalente de Julho a Outubro devido ao clima mais quente. Pessoas de todas as idades são susceptíveis à infecção, mas é mais comum em bebés e crianças com idade inferior a cinco anos. As vias de transmissão incluem a ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes de animais ou humanos, como ovos/produtos à base de ovos crus ou malcozinhados, leite/produtos lácteos e carne/produtos à base de carne. A transmissão de pessoa para pessoa também pode ocorrer por via fecal-oral.
O período de incubação da infecção por Salmonella é de 6 a 72 horas, geralmente de 12 a 36 horas; o período infeccioso é geralmente de vários dias a várias semanas, mas raramente pode durar os vários meses. Os sintomas manifestam-se por gastroenterite aguda, incluindo náuseas, vómitos, diarreia, febre e cólicas abdominais e outros sintomas. O curso da doença dura geralmente quatro a sete dias. Os bebés, os idosos ou os imunocomprometidos apresentam frequentemente quadros mais graves da doença, o que pode levar a outras complicações graves devido à bacteremia, exigindo tratamento com antibióticos prescrito por um médico.
Varicela
Em Setembro, foram notificados um total de 49 casos de varicela, o que representa um aumento de 36,1% face aos 36 casos registados no mesmo mês do ano anterior e de cerca de 1,5 vezes face aos 20 casos registados no mês anterior.
A varicela é uma doença infecciosa aguda comum em crianças, causada pelo vírus varicela-zoster, que ocorre principalmente nas crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 10 anos. A varicela pode ocorrer durante todo o ano, mas é mais comum no Inverno e na Primavera. A varicela transmite-se directamente pelo contacto pessoal, através de gotículas dos doentes ou de secreções respiratórias espalhadas no ar, e indirectamente pelo contacto com objectos contaminados pelas secreções das feridas do doente. Pode haver febre ligeira na fase inicial da infecção, seguida de erupções cutâneas maculopapulares na pele, que depois se formam bolhas e finalmente, formam-se crostas.
A maioria dos casos de varicela apresenta apenas sintomas ligeiros e recupera naturalmente, mas as pessoas com sistemas imunitários fracos têm maior probabilidade de desenvolver complicações, tais como infecções cutâneas, escarlatina, pneumonia e encefalite. Se um bebé recém-nascido contrair varicela, a condição pode ser grave ou mesmo fatal. As crianças podem ser vacinadas contra a varicela. De um modo geral, a vacinação começa no 12.º mês após o nascimento, e cerca de 90% das pessoas vacinadas podem produzir imunidade.
Infecção por enterovírus
Em Setembro, foram notificados um total de 427 casos de infecção por enterovírus, um aumento de cerca de 3,1 vezes em relação aos 105 casos registados no período homólogo do ano anterior e um aumento de 74,3% em relação aos 245 casos registados no mês anterior.
A infecção por enterovírus pode ser causada pelo vírus Coxsackie, echovírus e enterovírus 71. A infecção pelo enterovírus ocorre durante o ano inteiro, a nível mundial, mas é no Verão que tem maior incidência. Este vírus é a fonte de várias doenças, sendo as mais ligeiras e frequentes, tais como a síndrome mão-pé-boca e a herpangina e, o mesmo também pode causar complicações graves, como miocardite e meningite asséptica.
A infecção por enterovírus ocorre na maioria dos casos em crianças com idade inferior a cinco anos. O período de incubação varia de três a sete dias, e a transmissão faz-se por contacto directo com fezes dos doentes infectados, gotículas de saliva ou com materiais contaminados. Devido ao contacto próximo das crianças nas creches e jardins-de-infância, especialmente, nas actividades de jogos, é fácil ocorrer um surto da síndrome mão-pé-boca, que é uma doença altamente contagiosa. No período inicial aparecem sintomas, tais como febre, dor de garganta, vesículas pequenas ou pústulas vermelhas que não provocam dores nem comichão nas palmas das mãos, pés e nádegas, e surgem herpes na boca, causando posteriormente úlceras. No período de sete a dez dias, as vesículas e as pústulas vermelhas vão desaparecer gradualmente, e o doente fica curado. A transmissão do enterovírus principia alguns dias antes dos primeiros sintomas surgirem, localizando-se o vírus na garganta e nas fezes e, durante algumas semanas, as fezes do doente podem conter este vírus.
Febre de dengue e febre chikungunya
Em Setembro, foi notificado um caso importado de dengue e não foi registado nenhum caso de febre chikungunya.
Tanto a dengue como a febre chikungunya são doenças infecciosas transmitidas pelos mosquitos Aedes albopictus ou Aedes aegypti, com sintomas, vias de transmissão e métodos de prevenção e controlo semelhantes. O período de incubação da dengue é normalmente de quatro a sete dias, sendo os sintomas febre, dores de cabeça, dores retro-orbitais, dores musculares e articulares, bem como erupções cutâneas. Os casos graves podem incluir hemorragia e choque. O período de incubação da febre chikungunya é normalmente de três a sete dias, com sintomas caracterizados sobretudo por febre, dores articulares intensas e erupção cutânea. Os sintomas são, normalmente, ligeiros e duram vários dias, sendo os casos graves e as mortes raros. No entanto, a dor articular pode ser suficientemente grave para limitar as actividades diárias e persistir durante semanas ou meses.
Para reduzir o risco de contrair a gripe e outras doenças transmissíveis, os Serviços de Saúde apelam que os residentes consultem as seguintes infografias para reforçar as medidas de protecção individual.








