Infografia sobre a doença por vírus Ébola
Tendo em conta a persistência da epidemia da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda, atendendo a que os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC da África) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram, numa conferência de imprensa online conjunta, que 10 países africanos foram classificados como países de alto risco (“at risk” – com necessidade de reforçar a vigilância) para a doença por vírus Ébola, com o intuito de reduzir ainda mais o risco de importação da doença e proteger a segurança dos residentes de Macau e da saúde pública, os Serviços de Saúde ajustam, de forma flexível, as suas estratégias de prevenção e controlo, com base na evolução epidemiológica mais actualizada e nos resultados da avaliação de riscos, intensificando as medidas de prevenção e controlo nos postos fronteiriços, de acompanhamento e gestão da saúde.
1. Reforço do controlo sanitário nos postos fronteiriços
Os Serviços de Saúde continuam a monitorizar estreitamente a evolução epidemiológica a nível mundial, tomando como referência as “Recomendações para a Prevenção e Controlo da Doença por vírus Ébola" emitidas pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China, a partir das 09h00 de amanhã (dia 26 de Maio), nos principais postos fronteiriços de entrada e saída, será reforçado o controlo sanitário e a avaliação de risco para os indivíduos que tenham visitado as regiões relevantes nos últimos 21 dias ou titulares de passaporte das respectivas regiões. Estas regiões incluem a República Democrática do Congo (RDC) e o Uganda, onde já ocorre surto da doença por vírus Ébola, e existem mais 10 países africanos sujeitos ao reforço da vigilância: Sudão do Sul, Ruanda, Quénia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Angola, República do Congo (Brazzaville) e Burundi. Caso os indivíduos que tenham estado nas regiões acima referidas apresentem sintomas suspeitos da doença por vírus Ébola, serão transferidos de imediato para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para avaliação e exames mais aprofundados, enquanto os indivíduos assintomáticos serão sujeitos ao acompanhamento e gestão da saúde.
2. Implementação da autogestão da saúde por 21 dias
Considerando que o período de incubação da doença por vírus Ébola pode atingir até 21 dias, os indivíduos que tenham visitado as regiões acima mencionadas devem proceder à autogestão da saúde por um período de 21 dias, contados a partir do dia de entrada em Macau. Os Serviços de Saúde continuarão a monitorizar e acompanhar a saúde dos indivíduos em causa, devendo esses proceder à observação do seu estado de saúde diariamente. Se tiverem sintomas suspeitos, como febre, fadiga, dores de cabeça, dores de garganta, vómitos, diarreia ou hemorragia de causa desconhecida, devem recorrer imediatamente ao médico. Caso necessitem de deslocar-se às instituições médicas por conta própria, devem evitar o uso de transportes públicos e tomar medidas de protecção individual, evitando contactos físicos com outras pessoas, e informar, por iniciativa própria, os profissionais de saúde sobre o seu historial de viagens e eventuais contactos de risco.
A doença por vírus Ébola é uma doença viral grave e aguda, com um período de incubação que varia entre os dois (2) e os 21 dias, e com os sintomas de início súbito que incluem febre, fraqueza extrema, dores musculares, dores de cabeça e dores de garganta, seguidos de vómitos, diarreia, erupções cutâneas, disfunções hepáticas e renais. Nos casos graves, pode levar a hemorragias internas e externas, e até à morte. Alguns morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do referido vírus, e os chimpanzés, gorilas, macacos, antílopes da floresta e os porcos-espinhos, entre outros animais também podem ser portadores deste vírus. O vírus Ébola pode ser transmitido por contacto directo com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais ou doentes infectados, bem como por exposição indirecta ao ambiente contaminado. Além disso, o contacto directo com o cadáver do falecido durante a cerimónia fúnebre pode causar infecção. Nas áreas afectadas, os profissionais de saúde, que não cumpram rigorosamente as medidas de controlo da infecção, estão susceptíveis a serem infectados aquando da entrada em contacto próximo com os doentes.
Os Serviços de Saúde recomendam aos residentes que evitem deslocar-se aos países ou regiões de risco. Caso já se encontrem nesses locais, devem prestar atenção à higiene pessoal e ambiental, cumprir rigorosamente os procedimentos de lavagem das mãos, evitar o contacto com animais ou seus cadáveres, não consumir carne de animal selvagem mal cozinhada, lavar e descascar bem os frutos antes de os consumir, evitar deslocações a hospitais ou residências de doentes, salvo situações estritamente necessárias, bem como manter-se afastados de pessoas com suspeita de infeção, do seu sangue, fluidos corporais ou de objectos possivelmente contaminados. Em caso de contacto imprudente, devem lavar as mãos imediatamente e consultar um médico, se necessário. As pessoas, que tenham viajado para as regiões afectadas pelo vírus Ébola, devem realizar a autogestão da saúde durante 21 dias após o regresso a Macau. Caso manifestem sintomas como febre, diarreia, vómitos, erupções cutâneas ou hemorragia, devem recorrer, com a maior brevidade possível, ao médico e informá-lo sobre o seu historial de viagens.
Os Serviços de Saúde salientam que, actualmente, a avaliação do risco de ameaça da doença por vírus Ébola para Macau continua a ser considerada de baixo risco, sendo o risco geral para a saúde pública controlável. As medidas vigentes constituem medidas preventivas e específicas para a gestão da saúde, com o objectivo de identificar os casos importados de risco o mais cedo possível. Tendo em conta que a situação epidemiológica a nível internacional ainda pode evoluir, os Serviços de Saúde continuam a monitorizar estreitamente a evolução global da doença e a proceder a avaliações de risco, ajustando atempadamente as estratégias de prevenção e controlo de acordo com as necessidades reais, envidando todos os esforços na protecção da saúde da população, assim como na segurança da saúde pública.


