A equipa técnica de especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) realizou uma visita a Macau entre 14 e 23 de Julho de 2026, no âmbito da “Consulta ao abrigo do Artigo IV” relativa à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), tendo as respectivas conclusões preliminares sido publicadas em 29 de Julho. Após a conclusão desta consulta pelo Conselho Executivo do FMI, o FMI divulgou hoje (29 de Setembro, hora dos Estados Unidos da América) o “Relatório de conclusões dos membros da equipa técnica da consulta ao abrigo do Artigo IV de 2026 à Região Administrativa Especial de Macau”, mais detalhado, procedendo a uma avaliação e análise mais abrangentes da situação macroeconómica e financeira da RAEM.
O FMI reconhece a resiliência económica da RAEM
O FMI salientou que, não obstante os impactos decorrentes de factores externos adversos, a economia da RAEM manteve a sua resiliência. Com o apoio do forte desempenho do sector integrado do turismo e lazer, a economia da RAEM prosseguiu a sua trajectória de crescimento, tendo o número de entradas de visitantes ultrapassado o nível anterior à pandemia; a inflação interna manteve-se moderada e o mercado laboral permaneceu, de um modo geral, estável. O FMI prevê que a economia da RAEM registe, em 2026, um crescimento de 3,3%, e que a taxa de inflação se situe em 1,8%.
Recomendações de política do FMI para a RAEM
O FMI reconheceu os progressos constantes alcançados pelo Governo da RAEM na promoção do desenvolvimento da diversificação adequada da economia, tendo assinalado que a RAEM poderá criar novas oportunidades de desenvolvimento através do pleno aproveitamento das vantagens em termos de capacidade produtiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, bem como com base nas estreitas ligações entre Macau e os Países de Língua Portuguesa.
No que concerne à estabilidade financeira, o FMI avaliou que o sistema bancário de Macau se mantém sólido, tendo sublinhado a importância da aplicação contínua do princípio de supervisão baseado no risco, de modo a apoiar o desenvolvimento do sector financeiro, salvaguardando simultaneamente a integridade financeira. Em matéria de regime monetário, o FMI reafirmou que o regime de indexação da pataca ao dólar de Hong Kong proporciona um suporte fiável à estabilidade económica e financeira da RAEM.
No âmbito da política orçamental, o FMI reconheceu de forma muito positiva a solidez financeira e a capacidade de amortecimento externo da RAEM. Tendo em conta a ampla margem orçamental existente, o FMI considera que o Governo da RAEM poderá recorrer a políticas orçamentais adequadas, concentrando esforços no estímulo da procura interna e na resposta activa aos desafios decorrentes do envelhecimento da população.
No domínio das políticas industriais, o FMI recomendou o pleno aproveitamento das tecnologias digitais e da inteligência artificial para elevar a produtividade e acelerar a transformação industrial, bem como o reforço da eficiência da administração pública e a melhoria do ambiente de negócios. Além disso, o FMI recomendou também o aumento adicional do investimento em infra-estruturas destinadas a responder às alterações climáticas, a fim de reforçar a resiliência climática de Macau.
Na página oficial do FMI, foram publicados o “Relatório de conclusões dos membros da equipa técnica da consulta ao abrigo do Artigo IV de 2026 à Região Administrativa Especial de Macau” (https://www.imf.org/en/publications/cr/issues/2026/09/29/people-s-republic-of-china-macao-special-administrative-region-2026-article-iv-579975) e o comunicado à imprensa sobre a respectiva conclusão (https://www.imf.org/pt/news/articles/2026/09/29/pr26311-macao-imf-executive-board-concludes-2026-article-iv-consultation). A próxima consulta ao abrigo do Artigo IV do FMI relativa à RAEM realizar-se-á de acordo com o ciclo de 24 meses previamente estabelecido.




