Serviços de Saúde organizaram uma “sessão de esclarecimento sobre a prevenção da doença por vírus Ébola” no Aeroporto Internacional de Macau
Tendo em conta a persistência da epidemia da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda, atendendo a que os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram, recentemente, numa conferência de imprensa online conjunta, que 10 países africanos foram classificados como países de alto risco (“at risk” – com necessidade de reforçar a vigilância) para a doença por vírus Ébola, com o objectivo de reduzir ainda mais o risco de importação da doença e proteger a segurança dos residentes de Macau e da saúde pública, os Serviços de Saúde realizaram, na tarde do dia 26 de Maio, no Aeroporto Internacional de Macau, uma “sessão de esclarecimento sobre a prevenção e o controlo da doença do vírus Ébola”, destinada aos trabalhadores do sector da aviação e do referido Aeroporto. A sessão contou com a presença de mais de 70 pessoas, entre pessoal de gestão de nível intermédio e trabalhadores da linha da frente.
Apesar da distância geográfica entre a África e Macau, o transporte internacional é conveniente e a circulação de pessoas é frequente. Além disso, a taxa de mortalidade do vírus Ébola é elevada e existe o risco de transmissão transfronteiriça. O Aeroporto Internacional de Macau é um elo de ligação fundamental da cidade ao exterior e os seus trabalhadores entram diariamente em contacto com turistas de todo o mundo, pelo que é importante que estes trabalhadores tenham capacidade de identificação e resposta ao referido vírus. Na sessão de esclarecimento, os representantes do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) dos Serviços de Saúde detalharam a doença por vírus Ébola, as vias de transmissão, os sintomas clínicos da doença, os meios de identificação dos casos suspeitos e o respectivo encaminhamento, bem como os pontos-chave para a protecção individual, entre outros aspectos, de modo a reforçar a capacidade de resposta dos participantes, e a assegurar que os diversos departamentos de operações aeroportuárias sejam capazes de activar, de forma expedita, um plano de contingência, realizar a triagem, notificar e prestar assistência no encaminhamento de forma eficaz, caso se verifique um surto de casos suspeitos.
Durante a sessão, os participantes fizeram intervenções proactivas e procederam a discussões aprofundadas com os representantes do CDC sobre várias circunstâncias possíveis no âmbito dos seus trabalhos. Todos manifestaram concordância com a eficácia das actuais medidas de prevenção e controlo reforçadas e afirmaram que, iriam participar e adoptar conjuntamente as medidas, de modo a salvaguardar a primeira linha de prevenção epidémica no posto fronteiriço.
A doença por vírus Ébola é uma doença viral grave e aguda, com um período de incubação que varia entre os dois (2) e os 21 dias. Os sintomas surgem de forma súbita e incluem febre, fraqueza extrema, dores musculares, dores de cabeça e dores de garganta, seguidos devómitos, diarreia, erupção cutânea, disfunções hepáticas e renais. Nos casos graves, pode levar a hemorragias internas e externas, e até à morte. Alguns morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do referido vírus. Os chimpanzés, os gorilas, os macacos, os antílopes da floresta e os porcos-espinhos, entre outros animais também podem ser portadores deste vírus. O vírus Ébola pode ser transmitido por contacto directo com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais ou doentes infectados, bem como por exposição indirecta ao ambiente contaminado. Além disso, o contacto directo com o cadáver do falecido durante um ritual fúnebre pode causar infecção. Nas regiões afectadas,os profissionais de saúde, que não cumpram rigorosamente as medidas de controlo da infecção, estão susceptíveis a serem infectados aquando da entrada em contacto próximo com os doentes.
Os Serviços de Saúde recomendam aos residentes que evitem deslocar-se aos países ou regiões de risco. Caso já se encontrem nesses locais, devem prestar atenção à higiene pessoal e ambiental, cumprir rigorosamente os procedimentos de lavagem das mãos, evitar o contacto com animais ou seus cadáveres, não consumir carne de animal selvagem mal cozinhada, lavar e descascar bem os frutos antes de os consumir, evitar deslocações a hospitais ou residências de doentes, salvo situações estritamente necessárias, bem como manter-se afastados de pessoas com suspeita de infecção, do seu sangue, fluidos corporais ou de objectos possivelmente contaminados. Em caso de contacto imprudente, devem lavar as mãos imediatamente e consultar um médico, se necessário. Os residentes, que tenham viajado para as regiões afectadas pelo vírus Ébola, devem realizar a autogestão da saúde durante 21 dias após o regresso a Macau. Caso manifestem sintomas como febre, diarreia, vómitos, erupções cutâneas ou hemorragia, devem recorrer, com a maior brevidade possível, ao médico e informá-lo sobre o seu historial de viagens.


