Resultados do inquérito aos orçamentos familiares 2017/2018

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) concluiu o recente Inquérito aos Orçamentos Familiares (IOF) e divulga os respectivos resultados. O IOF é realizado de 5 em 5 anos, cujos resultados reflectem o padrão de consumo e a distribuição de receita dos agregados familiares.

Aumentam agregados familiares, diminui a dimensão

De acordo com os resultados do IOF 2017/2018, os agregados familiares em Macau totalizaram 191.273, mais 10.199 em relação a 2012/2013 com um acréscimo de 5,6%. Analisando por tipo de unidade de alojamento (u.a.), 23.109 agregados familiares residiam em habitação económica e 12.637 em habitação social, aumentando respectivamente 22,4% e 96,2% em relação a 2012/2013, dada a ocupação de vários novos complexos habitacionais públicos nos últimos 5 anos, que se reflectiu nas subidas proporcionais de 1,7 e 3,0 pontos percentuais relativamente à totalidade dos agregados familiares, situando-se em 12,1% e 6,6%. Por seu turno, residiam em u.a. de habitação privada 155.527 agregados, baixando ligeiramente 0,1%, com uma descida de 4,7 pontos percentuais na proporção (81,3%).

Quanto à dimensão, baixou ligeiramente o número médio de membros por agregado familiar, passando de 3,05 para 3,04. Salienta-se que a média de membros era de 3,11 na habitação privada, 2,96 na habitação económica e 2,24 na habitação social. Os agregados familiares com 1 e 2 membros totalizavam 74.559, tendo aumentado 8,2% desde há 5 anos (68.918). Quanto aos 18.223 agregados familiares idosos (ou seja, em que todos os membros do agregado familiar tinham idade igual ou superior a 65 anos), aumentaram 65,8%, em virtude do envelhecimento populacional. Entretanto, diminuiu de 1,72 para 1,64 a média da população empregada por agregado familiar.

Em relação à condição perante a actividade económica dos membros do agregado familiar, existiam 29.570 agregados em que a totalidade dos membros não participa nas actividades económicas (aposentados, estudantes, empregados domésticos, etc.), representando 15,5% do total e subindo 4,1 pontos percentuais comparativamente com 2012/2013. Note-se que a dimensão destes agregados é menor do que a da generalidade, predominando os de 1 e 2 membros (85,7%).

Despesa média cresce 3,6%, em termos reais, com predomínio de “Habitação e combustíveis”

Com base nos dados de 2017/2018, a despesa mensal em consumo dos agregados familiares de Macau totalizou 6,79 mil milhões de patacas, isto é, um acréscimo nominal de 28,5%, face a 2012/2013, crescendo 9,4%, em termos reais (após a dedução dos efeitos da inflação). Quanto à despesa média mensal em consumo por agregado familiar, situou-se em 35.488 patacas, i.e., um aumento real de 3,6%.

Analisando as despesas totais dos agregados familiares por secções de bens e serviços, as secções “Habitação e combustíveis” e “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” combinavam 48,8%, ou seja, uma redução de 2,6 pontos percentuais desde há 5 anos. Salienta-se o aumento de 1,2 pontos percentuais da proporção de “Habitação e combustíveis” (26,9%), que é a despesa predominante, tendo ultrapassado a secção “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”, cuja proporção desceu 3,7 pontos percentuais, de 25,7% para 22,0%. Analisando o padrão de consumo dos agregados familiares, a despesa mensal de consumo no exterior totalizou 791 milhões de patacas, correspondendo a um aumento real de 61,0%, em comparação com 2012/2013. Sublinha-se que a despesa em Zhuhai equivaleu a 44,1% do total, com uma média de 1.821 patacas por agregado. Por seu turno, a despesa mensal dos agregados com a utilização da internet atingiu 141 milhões de patacas, representando 2,1% do total das despesas e subindo 361,2%, em termos reais.

Receita média sobe, em termos reais, 14,1%, crescimento superior ao da despesa

Em 2017/2018 a receita mensal dos agregados familiares do território cifrou-se em 10,62 mil milhões de patacas, aumentando 20,5%, em termos reais. Os valores da receita média mensal por agregado familiar e da receita disponível média (deduzidos os impostos directos, as contribuições para a segurança social/previdência e as transferências entre agregados familiares) atingiram 55.497 e 52.314 patacas, tendo subido 14,1% e 12,7%, respectivamente, em termos reais. Os rendimentos do emprego foram a principal fonte da receita dos agregados, correspondendo a 72,4% do total, seguindo-se os rendimentos de transferências monetárias (incluindo a assistência social e os subsídos, quer em numerário quer equivalentes a numerário, concedidos pelo Governo, tais como o Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico, os vales de saúde, etc.), com 14,1% e os rendimentos da propriedade (i.e. as rendas e juros recebidos), com 13,5%.

Quanto aos rendimentos do emprego por tipo de u.a., enquanto na habitação económica perfizeram 76,1% das receitas dos agregados e subiram 5,5 pontos percentuais nos últimos 5 anos, na habitação privada, com 72,5%, desceram 1,3 pontos percentuais. Por seu turno, na habitação social corresponderam a 51,5%, caindo 13,4 pontos percentuais, tendo porém aumentado 13,2 pontos percentuais a proporção dos rendimentos de transferência monetária (48,3%).

A taxa de crescimento real da receita média mensal dos agregados (+14,1%, face a 2012/2013) foi superior à da despesa em consumo (+3,6%), pelo que a proporção da despesa em consumo nas receitas dos agregados familiares evoluiu de 70,4% para 63,9%, isto é, diminuiu 6,5 pontos percentuais.

Índice de Gini: ligeiro acréscimo de 0,01

Relativamente ao grau de igualdade da distribuição das receitas dos agregados familiares de Macau, o índice de Gini apresentou o valor de 0,36 em 2017/2018, ligeiramente acima de 0,35 em 2012/2013. Excluindo a assistência e os subsídios do Governo, o índice de Gini subiu de 0,38 em 2012/2013 para 0,40 em 2017/2018. O índice de Gini diminuiu 0,04 devido à assistência social e subsídios concedidos pelo Governo em 2017/2018, este valor foi mais elevado que em 2012/2013 (0,03), o que indicia uma maior eficácia da intervenção do Governo no melhoramento da distribuição da receita dos agregados familiares.

As principais razões da subida do Índice de Gini foram o envelhecimento populacional e a redução da dimensão média dos agregados familiares. Devido a estas mudanças sócio-demográficas, aumentou o número de agregados com rendimento relativamente baixo (como sejam: agregados idosos, de menor dimensão, com menos membros empregados, etc.), que se reflectiu no grau de igualdade, subindo portanto o Índice de Gini.



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