Serviços de Saúde organizaram uma sessão de esclarecimento sobre a prevenção da doença por vírus Ébola, destinada aos profissionais de saúde da linha da frente
Tendo em conta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o surto da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma "Emergência de Saúde Pública de Importância de Interesse Internacional"(PHEIC), e com o objectivo de aumentar a vigilância das instituições médicas em relação a esta doença, os Serviços de Saúde organizaram, no dia 21 de Maio, uma “sessão de esclarecimento sobre a prevenção da doença por vírus Ébola”, que contou com a participação de mais de 150 profissionais de saúde da linha da frente dos Serviços de Saúde, do Centro Médico de Macau Union, do Hospital Kiang Wu, do Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia, do Hospital Yin Kui, do Hospital iRAD, bem como de outras instituições médicas privadas, com vista a fortalecer constantemente a capacidade de resposta à epidemia.
Durante a sessão de esclarecimento, o director dos Serviços de Saúde, Dr. Lo Iek Long afirmou que, apesar da distância geográfica entre a África e Macau, no entanto, o transporte internacional é conveniente e a circulação de pessoas é frequente. É possível que as instituições médicas de Macau recebam os utentes suspeitos de estarem infectados, provenientes das regiões afectadas (incluindo os residentes nessas regiões e pessoas que tenham regressado de uma viagem). Se os profissionais de saúde da linha da frente conseguirem identificar precocemente os casos suspeitos, comunicá-los e tomar as devidas medidas de controlo de infecção, será possível reduzir o risco de transmissão da doença nas instituições médicas e nos bairros comunitários. Tendo em conta a elevada taxa de mortalidade da doença por vírus Ébola, o pessoal médico e de enfermagem deve manter o alerta máximo, melhorar a capacidade de identificação e resposta aos casos suspeitos e questionar os utentes, de forma dinâmica, sobre se visitaram ou não os países africanos onde se registam surtos epidémicos, como a República Democrática do Congo e o Uganda, no sentido de detectar e controlar as fontes de contágio, o mais cedo possível. Os Serviços de Saúde facultaram ao sector as instruções relacionadas e apelam a todos para reforçarem a monitorização, aplicarem estritamente as medidas de controlo de infecção e prepararem bem os trabalhos no âmbito médico, com vista a salvaguardar juntos a saúde da população e dos turistas.
Por sua vez, os representantes dos Serviços de Saúde detalharam a situação epidémica mais actualizada, as características da doença por vírus Ébola, o fluxograma de notificação e do encaminhamento médico, as medidas de controlo de infecção e os procedimentos para colocação e remoção do Equipamento de Protecção Individual (EPI), entre outros aspectos, o que reforça a capacidade de identificação e de comunicação precoces por parte do pessoal da linha da frente, reduzindo o risco de transmissão no ambiente médico e na comunidade. A par disso, foram revistas as orientações existentes de prevenção e controlo, tendo as respectivas orientações sido publicadas às instituições médicas locais e sido produzido um vídeo de esclarecimento. O pessoal da linha da frente foi também avisado para interrogar activamente os doentes com sintomas suspeitos da doença, a fim de obter informações sobre o respectivo historial de viagens no prazo de 21 dias antes da manifestação dos sintomas, de modo a facilitar a identificação e comunicação precoces. Ao mesmo tempo, todas as instituições médicas foram solicitadas a inspeccionar as instalações de isolamento, o mecanismo de encaminhamento de doentes e a organização das medidas de controlo de infecção, a fim de assegurar que as medidas de resposta à emergência sejam implementadas, de forma acelerada e segura, evitando a transmissão do vírus no âmbito médico, caso ocorra um surto de casos suspeitos. Os participantes interagiram de forma dinâmica, colocando perguntas e trocando ideias. Todos manifestaram concordância com as medidas dos Serviços de Saúde e afirmaram que, iriam cumprir as diversas medidas de prevenção e controlo.
A doença por vírus Ébola é uma doença viral grave e aguda, com um período de incubação que varia entre os dois (2) e os 21 dias. Os sintomas manifestam-se muito rapidamente e incluem febre, fraqueza extrema, dores musculares, dores de cabeça e dores de garganta. Posteriormente, ocorrem vómitos, diarreia, erupção cutânea, disfunção hepática e renal. Nos casos graves, podem ocorrer hemorragias internas e externas, e podendo levar à morte. Os morcegos frugívoros de algumas espécies são os hospedeiros naturais do referido vírus. Os chimpanzés, os gorilas, os macacos, os antílopes da floresta e os porcos-espinhos, entre outros animais também podem ser portadores deste vírus. O vírus Ébola pode ser transmitido por contacto directo com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais ou doentes infectados, bem como por exposição indirecta ao ambiente contaminado. Além disso, o contacto directo com o cadáver do falecido durante a cerimónia fúnebre pode causar infecção. Nas regiões afectadas, o pessoal médico e de enfermagem está susceptível de ser infectado ao entrar em contacto próximo com os doentes, caso não sejam cumpridas estritamente as medidas de controlo de infecção.
Os Serviços de Saúde recomendam aos residentes que, antes de se deslocarem para regiões epidémicas, efectuem uma avaliação prudente e uma preparação adequada. Durante a permanência nessas regiões, devem prestar atenção à higiene pessoal e ambiental, cumprir concretamente os procedimentos de lavagem das mãos; evitar o contacto com animais e suas carcaças, não consumir carne de animal selvagem mal cozinhada, lavar e descascar bem os frutos antes de os consumir, evitar dirigir-se a hospitais ou aos domicílios dos doentes, a não ser que seja estritamente necessário, bem como manter-se afastados de doentes, do seu sangue, dos seus fluidos corporais ou de objectos possivelmente contaminados. Em caso de contacto imprudente, devem lavar as mãos imediatamente e consultar um médico, se necessário. As pessoas que tenham viajado para as regiões afectadas pelo vírus Ébola e manifestem sintomas como febre, diarreia, vómitos, erupção cutânea ou hemorragia, no prazo de 21 dias após o regresso a Macau, devem recorrer a um médico e informá-lo do seu historial de viagens, com a maior brevidade possível.






